Infecções urinárias em mulheres

Pacientes femininas são mais suscetíveis ao problema, por conta da uretra ser bastante curta

Por - Publicado em 27 de junho de 2014

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As infecções urinárias são bastante comuns no sexo feminino. Elas são causadas, geralmente, por bactérias provenientes do intestino grosso, pois fazem parte da flora intestinal e sua presença é absolutamente normal. Ao atingir o trato urinário, entretanto, passam a ser patogênicas, agredindo a bexiga e/ou o trato urinário superior (ureteres e rins).

Quando a infecção se localiza na bexiga, é denominada “cistite” e se manifesta por dor no baixo ventre, dor ou queimação na uretra, aumento da frequência urinária e, às vezes, sangramento urinário. Quando atinge os rins, passa a ser denominada “pielonefrite”.

As mulheres são especialmente vulneráveis devido principalmente ao fato da uretra ser bastante curta, facilitando a entrada de bactérias presentes na região genital para o interior da bexiga. O organismo feminino tem mecanismos de defesa para que isso não ocorra, mas em algumas situações eles falham e a infecção urinária se instala.

Os principais mecanismos naturais de defesa do organismo contra as infecções urinárias incluem:

Baixo pH (acidez) vaginal, impedindo que germes provenientes do intestino sobrevivam na região próxima ao meato uretral. Essa acidez é possível graças aos lactobacilos da flora vaginal, que produzem substâncias ácidas que mantêm esse ambiente hostil às bactérias.
Baixo pH da urina com o mesmo efeito no interior da bexiga.
Presença de anticorpos e outras substâncias protetoras na parede interna da bexiga (mucosa vesical) impedindo que bactérias patogênicas ataquem e ali proliferem;
Em mulheres com predisposição a infecções urinárias, há falhas nesse sistema de defesa, permitindo que as bactérias colonizem a região do introito vaginal e daí atinjam o interior da bexiga.

Essa falha, em geral, ocorre na capacidade das mucosas da vagina e da bexiga de impedir a aderência bacteriana. Sabe-se que essa falha ou deficiência, que atinge cerca de 8% das mulheres adultas, decorre de uma tendência genética que tende a se repetir em outras pessoas da mesma família.

O ato sexual é um facilitador da entrada dessas bactérias na bexiga, e esse fato ocorre por uma questão puramente mecânica: durante a penetração, ocorre abertura e encurtamento da uretra feminina. Torna-se então bastante evidente que a infecção urinária não é transmitida pelo parceiro sexual e não é considerada uma doença sexualmente transmissível.